CFOP 6.123: Venda interestadual de mercadoria de terceiros remetida para industrialização por conta e ordem — NF-e, XML, SPED e riscos fiscais

Entenda o CFOP 6.123 na venda interestadual de mercadoria de terceiros remetida ao industrializador por conta e ordem do adquirente, com ICMS, documentos vinculados, XML e SPED.

Publicado em 28/06/2026 22h49 6 min de leitura

Resumo executivo

O CFOP 6.123 é usado na venda interestadual de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros remetida diretamente para industrialização por conta e ordem do adquirente, sem transitar pelo estabelecimento do adquirente.

É um dos CFOPs de maior risco operacional porque envolve venda interestadual, entrega direta ao industrializador, documentos vinculados, eventual remessa simbólica, retorno de industrialização, ICMS interestadual, possibilidade de ST, DIFAL em cenários específicos e controle de prazo nas remessas correlatas.

O que é o CFOP 6.123

É o CFOP da venda para outra UF de mercadoria de terceiros entregue diretamente ao industrializador indicado pelo comprador. A NF-e 6.123 documenta a venda ao adquirente; a circulação física e a industrialização exigem documentos próprios.

Definição oficial

CFOPDescriçãoLeitura prática
6.123Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros remetida para industrialização, por conta e ordem do adquirente, sem transitar pelo estabelecimento do adquirenteVenda interestadual de mercadoria de terceiros entregue direto ao industrializador do comprador

Quando usar

  • quando a venda é interestadual;
  • quando o vendedor vende mercadoria de terceiros, sem industrialização própria;
  • quando o adquirente determina entrega direta ao industrializador;
  • quando a mercadoria não passa pelo estabelecimento do adquirente;
  • quando a NF-e representa a venda comercial, e não a remessa física isolada.

Quando não usar

SituaçãoCFOP provávelMotivo
Venda interna5.123Não há operação interestadual
Produto fabricado pelo vendedor6.122Venda de produção própria
Remessa física ao industrializador5.924 ou 6.924Documento de transporte e remessa por conta e ordem
Remessa do autor da encomenda5.901 ou 6.901Industrialização por encomenda
Venda comum interestadual6.102 ou específicoMercadoria é entregue ao comprador, sem operação triangular

CFOPs correlatos

CFOPFunçãoCuidado
6.122Venda de produção própria para industrialização por conta e ordemUsar se o vendedor fabricou o produto
5.123Equivalente internoMesma UF
5.924/6.924Remessa física ao industrializadorDepende da UF do industrializador
5.901/6.901Remessa para industrialização por encomendaPode ser simbólica ou física conforme estrutura
5.902/6.902Retorno dos insumos remetidosUsado pelo industrializador no retorno
5.124/6.124 ou 5.125/6.125Cobrança da industrialização e materiais própriosUsado no retorno industrializado

Prazo legal ou operacional

O 6.123 não é o documento que inicia o prazo de retorno da industrialização; ele documenta a venda do fornecedor. Contudo, quando a operação correlata envolve remessa para industrialização com suspensão do ICMS em São Paulo, deve haver controle do prazo de 180 dias para retorno, com possibilidade de prorrogação mediante autorização fiscal. A falta de retorno no prazo pode tornar exigível o imposto suspenso nas remessas correlatas.

Condição fiscal crítica

O 6.123 é venda interestadual. O ICMS deve ser analisado como venda, com alíquota interestadual, regras de destinatário contribuinte ou não contribuinte, ICMS-ST, FCP, DIFAL quando aplicável e benefícios. Não se deve aplicar automaticamente a suspensão da industrialização na venda 6.123. A suspensão, quando existente, pertence às remessas/retornos previstos na legislação de industrialização por conta de terceiros.

Riscos fiscais

ErroRiscoPrevenção
Confundir venda com remessa físicaDocumento não comprova corretamente a circulaçãoSeparar 6.123 de 5.924/6.924
Usar 6.123 para produto próprioCFOP incorretoUsar 6.122
Não informar local de entrega/industrializadorOperação triangular sem lastroPreencher local de entrega e informações complementares
Ignorar ICMS interestadualAlíquota, DIFAL ou ST incorretosValidar UF, destinatário, NCM e CEST
Não controlar retorno da industrializaçãoRisco de imposto suspenso exigido nas remessas correlatasControlar prazo e documentos de retorno

CST, CSOSN, IPI, PIS e COFINS

TributoCódigos possíveisRessalva
ICMS CST00, 10, 20, 40, 41, 60, 90Depende de produto, UF, ST e benefício
CSOSN101, 102, 201, 202, 500, 900Depende do Simples Nacional e ICMS-ST
IPI50, 51, 53, 55, 99Revendedor comum normalmente não destaca IPI, salvo equiparação
PIS/COFINS01, 04, 06, 07, 08, 09, 49Validar regime, produto e receita

NF-e, XML, DANFE e documentos vinculados

  • A NF-e 6.123 deve documentar a venda ao adquirente de outra UF.
  • O local de entrega deve refletir o industrializador, quando a entrega for direta.
  • O DANFE que acompanha a mercadoria deve corresponder à nota de remessa física quando exigida.
  • O XML deve referenciar ou descrever os documentos relacionados, incluindo pedido, adquirente, industrializador e remessas.
  • A cadeia deve permitir conciliação com retorno 5.902/6.902 e cobrança 5.124/6.124 ou 5.125/6.125.

Exemplo simplificado de XML

<infNFe>
  <ide><natOp>Venda interestadual de mercadoria de terceiros para industrialização por conta e ordem</natOp></ide>
  <dest><CNPJ>[CNPJ_ADQUIRENTE_OUTRA_UF]</CNPJ><UF>[UF_ADQUIRENTE]</UF></dest>
  <entrega><CNPJ>[CNPJ_INDUSTRIALIZADOR]</CNPJ><UF>[UF_ENTREGA]</UF></entrega>
  <det nItem="1">
    <prod><cProd>INSUMO-6123</cProd><xProd>Mercadoria de terceiros para industrialização</xProd><NCM>[NCM_DA_MERCADORIA]</NCM><CFOP>6123</CFOP><qCom>100.0000</qCom><vProd>25000.00</vProd></prod>
  </det>
  <infAdic><infCpl>Venda por conta e ordem do adquirente. Entrega direta ao industrializador. Validar remessa física, documentos referenciados e retorno da industrialização.</infCpl></infAdic>
</infNFe>

SPED Fiscal e EFD Contribuições

A NF-e 6.123 deve ser escriturada como venda interestadual. No SPED Fiscal, conferir registros C100, C170, C190 e eventuais ajustes de ICMS-ST, DIFAL ou observações. Na EFD Contribuições, a receita deve ser registrada conforme CST de PIS/COFINS, evitando duplicidade com remessas sem caráter de receita.

Exemplo prático

Um fornecedor paulista vende insumos adquiridos de terceiros para comprador de Minas Gerais. Por ordem do comprador, os insumos são entregues diretamente a um industrializador localizado em São Paulo. A venda ao comprador usa CFOP 6.123. A remessa física ao industrializador deve ser documentada conforme a disciplina de entrega direta. O retorno da industrialização e a cobrança do serviço/materiais têm CFOPs próprios.

Checklist fiscal

  • Confirmar que a mercadoria é de terceiros.
  • Confirmar a natureza interestadual da venda.
  • Identificar adquirente, industrializador e local de entrega.
  • Emitir NF-e 6.123 para a venda, não para substituir remessa física.
  • Validar CFOP de remessa física: 5.924 ou 6.924, conforme UF do industrializador.
  • Controlar remessa simbólica e retorno da industrialização.
  • Conferir ICMS interestadual, DIFAL, ST, FCP, CST/CSOSN, IPI, PIS/COFINS.
  • Guardar XML, DANFE, pedido, contrato e comprovantes de entrega/retorno.

FAQ

O CFOP 6.123 é venda ou remessa?

É venda interestadual de mercadoria de terceiros. A remessa física ao industrializador deve ter documento próprio.

Qual a diferença entre 6.122 e 6.123?

6.122 é para produção própria do vendedor; 6.123 é para mercadoria adquirida ou recebida de terceiros.

Existe prazo de retorno no 6.123?

O prazo se relaciona às remessas de industrialização correlatas, não à venda 6.123 isoladamente.

Precisa de revisão humana?

Sim, especialmente quando comprador e industrializador estão em UFs diferentes ou quando há ST, DIFAL, FCP ou benefício fiscal.

Fontes oficiais consultadas

Conclusão

O CFOP 6.123 exige controle documental rigoroso. Ele registra a venda interestadual de mercadoria de terceiros, mas não substitui remessa física, remessa simbólica, retorno da industrialização nem cobrança do serviço. Para reduzir risco fiscal, vincule todas as NF-es, valide ICMS interestadual e mantenha conciliação com XML, DANFE, SPED e estoque.

Este conteúdo é meramente informativo e não substitui a análise de um contador, consultor tributário ou advogado para casos específicos.

Adriner

Técnico contábil com 27 anos de experiência na área fiscal, evangélico, marido, pai e sempre disposto a ajudar. Especialista em ICMS, IPI, PIS, COFINS, CST, ALÍQUOTAS, Nota Fiscal e SPEDFiscal. Acredito que ajudar os outros é a melhor forma de crescer e aprender.

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